
A Imperatriz Leopoldinense anunciou nesta quinta-feira os responsáveis pela coreografia da comissão de frente para o desfile no Sambódromo da Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2027. Em vez de um único coreógrafo, a escola optou por um coletivo artístico: o Coletivo Babatunde.
O grupo é formado por Ana Gregório, Fagner Santos, Márcio Dellawegah e Sabrina Sant’Ana. O nome Babatunde, de origem iorubá, remete à ideia de retorno e simboliza a força da ancestralidade que atravessa gerações e se reinscreve no presente por meio da arte e das experiências individuais de seus integrantes.
Os quatro artistas possuem trajetória consolidada no universo criativo das escolas de samba e nas danças populares brasileiras. A proposta do coletivo é pensar a comissão de frente como um espaço de experimentação artística que dialoga com diferentes linguagens, como performance, artes visuais, teatro, audiovisual e pesquisa sonora.
“A assinatura da comissão por um coletivo de coreógrafos negros nasce como gesto artístico, político e ancestral. O Babatunde se apresenta como um território de encontro, onde a experiência de cada um dos integrantes pensa a dança não apenas como movimento, mas também como memória, travessia e futuro possível”, afirmam, em uma só voz, os quatro integrantes do coletivo.
Para o carnavalesco da Imperatriz, Leandro Vieira, a chegada do grupo reforça o diálogo entre tradição e inovação dentro do quesito.
Segundo ele, “Seus corpos e saberes, reunidos para pensar uma comissão de frente, atualizam memórias silenciadas enquanto projetam futuros possíveis para o quesito.”
O coletivo também destaca que a criação coreográfica nasce do encontro e da pluralidade de experiências. Ao reunir artistas negros em torno da dança e do corpo, o Babatunde busca transformar a comissão de frente em um espaço de diálogo e reinvenção contínua.
Quem são os integrantes do Coletivo Babatunde
Ana Gregório é artista do corpo e da memória. Dançarina, educadora, performer, contadora de histórias e coreógrafa, desenvolve um trabalho que investiga o corpo como território político e a dança como pedagogia ancestral. Sua pesquisa está fortemente ligada à Dança Afro e à Dança dos Orixás, compreendendo o movimento como rito, identidade e afirmação cultural.
Fagner Santos é ator, bailarino e diretor. Formado em Licenciatura em Dança pelo Centro Universitário da Cidade do Rio de Janeiro (UniverCidade), construiu sua trajetória na interseção entre teatro, dança e narrativas corporais. Ele assina a concepção e direção do espetáculo “Coisa de Pele”, inspirado na canção de Jorge Aragão.
Márcio Dellawegah é formado em dança pela Cia Étnica de Dança e Teatro e possui experiência em dança contemporânea, jazz, samba no pé e danças populares. Atualmente é diretor artístico e de passistas da Imperatriz Leopoldinense. Também é campeão mundial de samba no pé pelo Brasil Samba World Champions em 2018.
Já Sabrina Sant’Ana é coreógrafa, dançarina, professora, performer e cantora. Formada pela Escola de Dança Jaime Aroxa e em canto pela Escola de Música Villa-Lobos, atua no Carnaval desde 2009, tendo participado de diversas comissões de frente. Desde 2023, contribui na criação cênica e coreográfica dos desfiles da Imperatriz ao lado de Dellawegah.
A artista também integra a Cia Clanm de Dança e é idealizadora do projeto Meu Bailado Cantado, iniciativa que une canto e movimento como linguagem artística e pedagógica.
